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terça-feira, 14 de abril de 2009

Pablo Neruda

Saudações crísticas e literárias, camaradas!

Um pouco de Neruda para "suavizar os tempos".


HOJE QUANTAS HORAS

Hoje quantas horas vão caindo
no poço, na rede, no tempo,
são lentas mas não tiveram descanso,
seguem caindo, unindo-se
primeiro como peixes,
depois como pedradas ou garrafas.
Lá embaixo entendem-se
as horas com os dias,
com os meses,
com lembranças confusas,
noites desabitadas,
roupas, mulheres, trens e províncias,
o tempo se acumula
e cada hora
se dissolve em silêncio,
se esfarela e cai
ao ácido de todos os vestigios,
à água negra
do avesso da noite.

Pablo Neruda - Últimos poemas. L&PM POCKET.

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